Sinopse:Paola
Perante Deus, o meu marido prometeu me amar.
Cuidar de mim. Ser meu amigo.
Perante todos, disse que me amava. Que íamos ser felizes.
Viver para sempre juntos.
Mentiu em tudo.
Até que um dia, perante mim, ele disse que ia me matar. E não mentiu.
A partir desse dia vivi escondida no meu mundo, até o André aparecer.
André
Não procurava nada. Não queria ninguém.
Não depois de tudo que vivi.
O meu coração estava escondido na escuridão, até a Paola surgir com as suas cores, pintando a minha vida.
Sorrisos Quebrados é um romance colorido entre duas pessoas Quebradas por relacionamentos passados.
Uma história de superação dos próprios medos e promessas
Livro: Sorrisos Quebrados/ Gênero: Romance / Ano de Lançamento: 2016 / Editora: Independente / Idioma: Português / Comprar:
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No ano de 2013, 13 mulheres morriam por dia vítima de violência praticada por seu próprio parceiro. São mulheres que morreram caladas por medo ou vergonha de admitirem para o mundo que cometeram o pecado de amar, sem saber que acabou dizendo "sim" para um monstro. Por vergonha ou medo de admitir que aquele príncipe encantado de uma hora para outra se transformou em um sapo, cada uma dessas mulheres fizeram um pacto de silêncio. E, seguindo este mesmo pacto, a cada minuto hoje, provavelmente uma mulher cai da escada, bate o olho contra uma porta ou se arranha em algum lugar, porém a cada cinco minutos uma mulher não sobrevive para contar a próxima mentira.
Parece até engraçado eu falar sobre isso em uma sociedade vista como evoluída. Em que leis e mais leis protegem as mulheres de serem abusadas ou espancadas, mas a verdade é que a situação é muito mais difícil do que imaginamos. Hoje existem mais Paolas do que eu posso contabilizar e quem sabe eu posso até estar falando com uma Paola hoje. Uma mulher sonhadora, com um futuro brilhante pela frente, mas que de uma hora para outra ver seu mundo desabar e descobre que está vivendo com um monstro que bate, xinga, ameaça e abusa sexualmente. Só que ao contrário da Paola, muitas mulheres não sobrevivem para contar a história.
As sobreviventes, tal qual a Paola, exibem cicatrizes que vão muito além da superfície. As sobreviventes tem na boca uma frase pronta afirmando que "eu estou bem", mas por dentro sabe que está quebrada, não só o sorriso, mas a alma, pois anos de abuso destroem a autoestima, o autoconceito e o amor próprio de qualquer pessoa. Assim como a Paola, cada uma das mulheres que conseguem se livrar das garras de um abusador sai de uma prisão para se trancar no pior cárcere que pode existir: o medo, o receio de viver pensando na forma como todas as outras pessoas vão olhar para ela. Uma prisão que só quem tem a chave é você mesmo e só consegue libertar depois de anos de terapia. Tratamento intensivo que ajuda a perceber que você só pode amar outra pessoa quando recuperar o amor por você mesmo. Afinal, você deve se apaixonar por você mesmo antes de entregar o coração a outra pessoa.
Mas calma! Apesar de meu começo trágico, esse apenas um prólogo. Sorrisos quebrados não é a história de uma Paola trancada em si e pelo medo. Essa é a história do processo de cura, do processo de auto descoberta. Aqui anos se passam e apesar daquele sorriso continuar quebrado, o coração já não é uma muralha, já existe uma fenda que permite a entrada do Sol que entrou na vida da Paola através de uma pequena menininha tão quebrada quanto ela, mas que viu nela a forma de curar seu próprio coraçãozinho. Só que a Sol não veio só, trás consigo uma bagagem e um pai que ainda está trancado, ferido e se culpando após vivenciar outra forma de amor doentio. Eis que surge o André que ainda é escuridão. O André que ainda está mergulhado na culpa e na dor e ainda precisa expurgar seus demônios.
Essa é a história de uma Paola que não é mais escuridão, ela agora é pintura e por ser cor pode colorir o seu mundo e o mundo das pessoas que está próxima a ela. Agora sim. Essa é a história da Paola e do André. A história do dia em que a escuridão encontrou a pintura e fez o mundo brilhar como estrelas em um céu de verão. Essa é a história de dois corações quebrados em processo de cura e que encontra na pintura uma válvula de escape, uma forma de transmitir sentimentos que por muitos anos foram trancados, suprimidos. Será que é possível haver amor entre dois corações que já experimentaram o que o quanto o amor pode ser ruim?
Crack. Crack, Crack.
Esse é o barulho de meu coração durante essa leitura. Meu coração se partindo, dilacerado, pois eu consegui vivenciar junto com a Paola, cada dor e cada ano de sofrimento, cada verdade não dita e cada vez que ela se calava por medo e por vergonha de admitir que amar foi pecado. Afinal, como pode a pessoa que jurou perante o altar amar e proteger se transformar em um monstro da noite para o dia? Como viver depois que toda a sua beleza foi tirada pelas mãos de um monstro? Como viver com o receio pelo que as pessoas vão falar?
Por alguns minutos após terminar essa leitura eu fiquei sem fala. Simplesmente para mim é muito difícil falar sobre minha experiência com esse livro. Talvez por isso, essa resenha está sendo tão diferente das outras. Talvez por isso eu posso estar dando voltas e falando de coisas difíceis. Desculpem, mas vou continuar. Não é todo dia que um livro é tão bem escrito que nos permitem fazer um alerta e tratar assuntos tão importantes e ao mesmo tempo que tem uma escrita leve, poética. É como se para a autora não fosse difícil encontrar as palavras. Vamos para mais teoria?
Resiliência: capacidade da matéria de retornar ao estado inicial depois de passar por uma mudança. Em humanos, uma situação adversa. Um simples conceito usado com maestria por essa autora Portuguesa. Paola foi resiliente, pois ela transformou a escuridão em pintura. O André, ao contrário da Paola se retraiu e se fechou para o amor após o que aconteceu com a ex. Ele precisa se proteger daquilo que te causou mal. Temos duas pessoas profundamente traumatizadas, mas cada uma em um estágio diferente.
Mas porque isso? Será que o trauma dele foi mais forte que o dela?
Sim e não. Cada pessoa é única e reage de uma forma diferente a um evento adverso. Mas em uma coisa, ao contrário de todos os outros livros que li, esse livro me contemplou. Paola estava em acompanhamento psicoterápico a anos, o André não. André está no início do processo de expulsar a culpa. Dois traumas diferentes. Dois sorrisos quebrados, mas que se encontram em um único ponto da reta: a vontade de fazer funcionar. O fato de um ver no outro o reflexo de sua própria dor e por isso, é uma pessoa confiável, afinal é mais fácil confiar em alguém que entende pelo que você passou.
Por fim, esse livro trás algo muito além de duas pessoas quebradas e o processo de cura. Ele fala de amor próprio. Só ele é capaz de curar, só com ele é que se pode ser verdadeiramente livre para amar outra pessoa. Quem já passou pelo inferno sabe não deve se contentar com nada menos que a perfeição. Sorrisos quebrados para mim foi mais que um romance: Foi poesia, foi sensibilidade.